sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sozinha eu ando bem, mas com voce ando melhor




*Por Emanuelle Goes para Conexões Futuros 


Mulheres negras e um ilá
Vozes que por vezes ecoou secretamente
Vozes que por vezes ecoou no cochilo da negação
Em tempos de agora
A voz que não se cala
Estende-se ao corpo que também fala
Traz uma geração inteira
Atravessa vários muros e mundos
É o ilá de quem não dorme

© Claudia Ferreira

A interseccionalidade como ferramenta, este é o primeiro passo para os Futuros Feministas.

Suas dimensões foi a experiência vivida no Fórum AWID, as diversidades de mulheres e suas demandas, assim como as formas e estratégias de lutas foi o maior aprendizado e de quanto estamos conectadas pelas lutas e pela ancestralidade.
Muitas águas corriam nos espaços do Fórum Awid, a ancestralidade se fazia presente, na luta, na resistência e na dança, daí entendi que “A minha ancestralidade dança na revolução”.
A ancestralidade feminina é feminista e nos abarca em todas as nossas diferenças e interseccionalidades, quando vejo o mundo só encontro esse caminho para a realização de sonhos de um mundo menos desigual, livre de todas as formas de opressão, no entendimento que somos diversas com singularidades da corporeidade e do lugar.
Pois é isso para que vejamos o ser humano na sua dimensão integral é preciso ver primeiro o que compõe aquele corpo, Kimberlé Crenshaw diz que a interseccionalidade não é uma visão holística de identidades, mas uma visão das múltiplas fontes de identidade quando se pensa sobre a construção da esfera social e política.

Me abrigo nos braços de minha irmã (Sisterhood) - Para nós, por nós e entre nós

Jurema Werneck no encerramento do Fórum nos apresenta uma demanda e diz: "É preciso fazer conexões, para darmos o próximo passo”, para mim este foi o principal produto/fruto /resultado do fórum, compromisso de fazer conexões com as mulheres no mundo, compromisso de irmanar com as mulheres do mundo a dor que atinge a cada uma. E se a luta é coletiva, a dor, o amor e a cura também são. A irmandade cura a dor da alma e nos salva.  Não estamos sós.
Parto do entendimento que o retrocesso que estamos vivendo na atualidade, sobre a violação de direitos conquistados e os avanços das violências de diversas ordens que nos atinge aqui no Brasil e em outras partes do mundo, tem a ver conosco, e é sobre nós.
O Feminismo é luta coletiva, o Feminismo Negro cabe todo mundo pois é interseccional. Finalizo com um grito, um hino, um desabafo das jovens feministas: “Companheira me ajude que eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor!”.
O Forum Awid ampliando as vozes das mulheres no mundo, pois o mais importante na luta feminista negra, sobretudo, é ser ouvida em primeira pessoa.

*Blogueira, Enfermeira, Coordenadora do Programa de Saúde das Mulheres Negras – Odara Instituto da Mulher Negra, Doutoranda em Saúde Pública (ISC/UFBA).

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A nossa dor não sai no jornal: Mulheres Negras e a epidemia do Zika vírus, um ano depois


Emanuelle Goes para Cientistas Feministas



Há mais ou menos um ano nos deparamos com um novo tipo de vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue e a chikungunya, e a descoberta ocorreu por conta do nascimento de crianças com o perímetro cefálico menor (microcefalia) que a medida padrão.
A ocorrência da microcefalia surgia no mesmo momento e nos mesmos lugares onde havia a epidemia do zika vírus, no nordeste do País, mais precisamente em Pernambuco e na Bahia. Desde então pesquisas vem sendo feita para identificar a causalidade entre o zika vírus e os recém-nascidos com microcefalia.
“A epidemia de microcefalia registrada no Brasil em 2015 é resultado de infecção congênita da mãe para o bebê por zika”. A conclusão é de um estudo caso­controle preliminar do Microcephaly Epidemic Research Group (MERG), publicado na revista científica The Lancet Infectious Diseases, intitulada “Association between Zika Virus infection and microcephaly in Brazil, January to May 2016: Preliminary report of a case control study”. A pesquisa ainda aponta sobre o que virá “uma epidemia global de microcefalia e outras manifestações da Síndrome Congênita do Zika.”
De acordo com o informe epidemiológico do Ministério da Saúde nº. 48, até 15 de outubro de 2016 havia 9.862 casos notificados para microcefalia e/ou outras alterações do sistema nervoso central, sendo 2063 confirmados: Nordeste apresentou mais da metade dos casos (1650), Sudeste (219), Centro-Oeste (107), Norte (68), Sul (19).
No entanto, mesmo diante de uma situação que abala a saúde pública do País, ainda não foram realizadas medidas que de fato mudassem o cenário até o momento, como saneamento básico, promoção da saúde, saúde reprodutiva e informações suficientes à população sobre a epidemia e forma de transmissão do vírus. O que observamos é um silenciamento da grande mídia e dos órgãos de governo responsáveis.
Quem são as pessoas que tem as suas vidas mais prejudicadas pelo zika vírus e suas consequências? São mulheres em idade reprodutiva, do nordeste do Brasil, em situação de pobreza e negras em sua maioria. Essas mulheres moram em situações inadequadas, com acesso irregular a serviços de saneamento básico, ambiente este que colabora para o desenvolvimento de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes (Figura 1).
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Fonte de Dados: Atlas de Desenvolvimento Humano/PNUD (2010)
De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), os Estados do Nordeste estão nas últimas colocações do Ranking nacional. Com destaque para Pernambuco em 19º lugar e a Bahia em 22º, os dois estados onde ocorreram mais casos de zika vírus e microcefalia.
Os dados sobre a situação das mulheres como chefe de família do Atlas de Desenvolvimento Humano, apresentam que as mulheres da Bahia e Pernambuco tem um maior percentual como chefia de família, quando comparamos Brasil, São Paulo e Santa Catarina, destaco que estes dois estados estão os três primeiros no Ranking do IDH (Figura 2).
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Fonte de Dados: Atlas de Desenvolvimento Humano/PNUD (2010)
O que estamos observando, escutando as mulheres, é que as mães dos filhos com microcefalia estão assumindo grande parte de todo o processo de cuidado, tendo que acompanhar os seus filhos nos atendimentos das redes de serviços, comprometendo toda a sua rotina de vida e trabalho.
A epidemia deste vírus e a negligência do Estado na sua desatenção ou no seu investimento insuficiente podem ser pensado como um case de racismo institucional e ambiental. Racismo Institucional trata-se da falha coletiva de uma organização em fornecer um serviço adequado e profissional às pessoas por causa de sua cor, cultura ou origem étnica (SANTOS, 2001)Racismo Ambiental é o aprofundamento da estratificação de pessoas (raça, cor e etnia) e de lugar (nas cidades, bairros periféricos, áreas rurais entre outros) (SANTANA FILHO; ROCHA, 2008).
No que se refere aos direitos reprodutivos, a falta de acesso à saúde para um planejamento reprodutivo, por meio de informações e métodos contraceptivos, também é outra realidade, e são as mulheres negras do Nordeste que têm menos acesso aos métodos (Tabela 3). Pesquisas  já apontam que o vírus também é de transmissão sexual (Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC)), possivelmente serão as mulheres negras e em situação de pobreza as mais expostas a essa situação, pois estão mais vulneráveis a desinformação sobre o uso de preservativos para a proteção contra o vírus..
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Fonte de Dados: Pesquisa Nacional de Saúde/IBGE (2013)

Pela Vida das Mulheres
O movimento de mulheres e de mulheres negras vem atuando frente à epidemia do zika vírus, participando de diálogos junto a Nações Unidas e atuando nas comunidades com projetos de intervenção com a finalidade de ampliar a informação pelo direito à saúde.
Em Março deste ano, Jurema Werneck elaborou um Boletim sobre o impacto da epidemia chamando atenção para as mulheres negras, que seria a população mais exposta as consequências do vírus. Além disso, apresentou 10 pontos reivindicando o direito a saúde e pelo bem viver (Boletim Epidemia de Zika e Mulheres Negras).
O grupo de pesquisa Anis, liderado pela pesquisadora Debora Diniz, apresenta juntamente com a Associação Nacional dos Defensores Públicos – ANADEP uma ação no Supremo Tribunal Federal sobre a proteção de direitos violados na emergência de saúde pública do vírus zika.
Há muitas incertezas sobre o zika vírus e as suas consequências nas crianças com a síndrome congênita, mas o que sabemos é que são as mulheres em idade reprodutiva, negras do nordeste que estão no centro da epidemia e na margem da sociedade e das políticas públicas. Essa situação nos coloca diante de novas lutas para a garantia dos direitos das mulheres e dessa nova população que chega. E com este cenário político que se instala de usurpação de direitos sociais, políticos e humanos convergem para a invisibilidade, a desatenção e a violação do direito humano à saúde desta população.
Referencias
SANTOS, H. A busca de um caminho para o Brasil : a trilha do círculo vicioso. [s.l.] Editora SENAC São Paulo, 2001.
SANTANA FILHO. Diosmar M. de. ROCHA, Júlio Cesar de Sá.  Justiça Ambiental da Águas e Racismo Ambiental. Justiça pelas águas: enfrentamento ao racismo ambiental – Salvador, Superintendência de Recursos Hídricos, 2008. p. 35
Links:
Leia também: 
*Blogueira, Enfermeira, Doutoranda em Saúde Pública (ISC/UFBA), Coordenadora do Programa de Saúde das Mulheres Negras – Odara Instituto da Mulher Negra, (emanuellegoes@gmail.com)

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Câncer de mama: disparidades raciais e socioeconômicas

Carmen SanDiego para Cientistas Feministas

Outubro é o mês dedicado à conscientização do câncer de mama, que é um dos mais comuns cânceres mais comuns em mulheres, representando 25% de todos os casos de câncer no mundo. Globalmente, são diagnosticados aproximadamente 1,7 milhões de novos casos dos quais meio milhão vão a óbito 1.
A incidência varia de acordo com a região geográfica. É observado que países norte-americanos, países da Europa Ocidental, países da América Latina e Austrália apresentam índices mais elevados, enquanto a grande maioria do território africano e asiático possui as menores taxas de incidência 1. Apesar dos países mais desenvolvidos possuírem uma alta taxa de incidência de câncer de mama, os países em desenvolvimento, como Nigéria e Etiópia, apresentam os maiores índices de mortalidade 2. Em países da América Latina, verifica-se que a incidência de câncer de mama está aumentando e acredita-se que isto esteja relacionado a diversos fatores: o aumento da taxa de obesidade, a redução de atividade física, a ocidentalização do estilo de vida e também ao limitado acesso de triagem e tratamento 1.
Diferenças também são verificadas em um mesmo país. Nos Estados Unidos, as mulheres brancas apresentam maior índice de incidência, porém, mulheres afrodescendentes com câncer de mama apresentam maior índice de mortalidade 2.
Estas disparidades estão relacionadas à combinação de diversos elementos, como fatores biológicos, estilo de vida, diferenças no acesso a tratamento e também em procedimentos de prevenção e triagem 3.
Fatores Biológicos
Devido a sua heterogeneidade, câncer de mama compreende um grupo de doenças. Estudos contendo análises genômicas mostram que câncer de mama pode ser classificado em 10 tipos 4. Na clínica, a classificação é feita por marcadores moleculares que são capazes de definir prognóstico e tratamento.
Células tumorais que expressam receptores hormonais de estrógeno e de progesterona, geralmente estão associadas com bom prognóstico e pacientes que apresentam este tipo de tumor podem ser beneficiadas com o tratamento hormonal. Tumores que expressam o receptor HER-2 (human epidermal growth factor receptor 2), um dos membros da família de receptor do fator de crescimento epidérmico, estão associados com alta agressividade e prognóstico ruim 5.
O desenvolvimento do anticorpo anti-HER-2, foi um grande progresso na terapia deste tipo tumor 6. Tumores que não apresentam nenhum tipo destes receptores, são considerados triplo negativo e pacientes com tumores triplo negativos apresentam um prognóstico pior. Diferente dos outros tipos, não há nenhum tratamento direcionado que seja eficaz para tumores triplo negativos 7.
Dados mostram que mulheres afrodescendentes tem mais probabilidade de serem diagnosticadas com câncer de mama triplo negativo e também com tumores em estágios mais tardios 8. Tumores triplo negativo tem mais incidência em mulheres dos países da África, sugerindo uma possível associação genética 2.
Estilo de vida
A população hispânica* dos Estados Unidos apresenta menor incidência de câncer de mama que a população branca, porém, observa-se que o risco é menor para mulheres hispânicas estrangeiras que as mulheres nascidas nos Estados Unidos. Este risco aumenta para as sucessivas gerações que vivem nos Estados Unidos. Apesar de países asiáticos apresentarem taxas de incidência menores que os países ocidentais, asiáticas que vivem nos Estados Unidos apresentam maior risco de serem diagnosticadas com câncer mama. Resultados indicam que o aumento no risco é devido a mudanças de estilo de vida e aumento do peso corpóreo 3.
Obesidade não só aumenta o risco de incidência de câncer de mama, como também está relacionada ao encurtamento do tempo de sobrevivência após o diagnóstico. Estudos mostram que a obesidade eleva o risco de incidência em mulheres após a menopausa. Entretanto, obesidade durante a adolescência e o período de início da vida adulta é inversamente proporcional com a incidência do câncer de mama antes da menopausa. Nos Estados Unidos, o índice de mortalidade de câncer de mama é maior na população afrodescendente, que também apresenta alto índice de obesidade 3.
Detecção, triagem e manejamento
Detecção precoce através da mamografia promoveu a redução de mortalidade, porém, isto não é observado em mulheres de todas etnias e raças. A incidência de diagnóstico para uma mulher afrodescendente com idade inferior a 35 anos é 1,4 a 2 vezes maior que para as brancas 8. O fato dos exames preventivos serem somente realizados com mulheres na faixa de 40-50 anos pode contribuir com o aumento das chances de mulheres afrodescendentes serem diagnosticadas em estágios mais tardios. Acredita-se que o ajuste da idade para estas mulheres começarem a fazer procedimentos de detecção com idade inferior a 40 anos poderia ser mais benéfico 2.
A qualidade do exame de mamografia e do treinamento dos profissionais envolvidos também pode contribuir para o aumento na disparidade da detecção precoce entre mulheres brancas e mulheres afrodescendentes e hispânicas. Geralmente, unidades que atendem minorias não possuem mamografia digital e profissionais especializados para interpretar os resultados 8 .
Um estudo com 55.000 mulheres mostrou que há uma menor probabilidade de mulheres afrodescendentes serem tratadas nos hospitais de alta qualidade nos Estados Unidos. Além disso, outro estudo com 108.000 mulheres demonstrou que há maiores chances de atrasos no tratamento para pacientes afrodescendentes e hispânicos do que para mulheres brancas 2. Também há uma maior probabilidade das mulheres afrodescendentes não receberem tratamento adequado, além de também receberem doses inferiores de medicamentos.
Foi sugerido por alguns cientistas que o alto custo de medicamentos orais poderia desencadear a subdosagem e até o abandono da terapia 8. Dados mostram que há uma maior probabilidade das mulheres afrodescendentes desistirem do tratamento e faltarem nos dias da aplicação de medicamentos.
Sugere-se que barreiras econômicas como dificuldades de encontrar creches para as crianças, faltar ao trabalho e não ter como pagar o transporte podem desencadear o abandono no tratamento. Um estudo, onde todas estas variáveis foram controladas, mostrou que as mulheres afrodescendentes tinham uma redução na sobrevivência quando comparadas com mulheres brancas. Isto sugere que, mesmo que as mulheres afrodescendentes recebam tratamento adequado, não resulta na mesma proporção de benefícios observados para mulheres brancas.
Câncer de mama e disparidades raciais e socioeconômicas no Brasil
O interesse pelo tópico sobre disparidades raciais e socioeconômicas na incidência e mortalidade de câncer tem aumentado. Como observado nos Estados Unidos, dados mostram uma tendência de aumento das taxas de mortalidade de mulheres afrodescendentes com câncer de mama no Brasil 9. Estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo apresentaram diminuição no índice de mortalidade, enquanto que os estados do Maranhão, Piauí e Paraíba apresentaram aumento. Possivelmente estas disparidades refletem as diferenças na qualidade do sistema de saúde 10.
A importância dos estudos sobre disparidades
Muitos estudos sobre disparidades raciais e câncer de mama foram realizados nos Estados Unidos, que apresentam uma menor miscigenação racial que no Brasil. Desenvolver projetos que visam investigar diferenças na incidência do câncer de mama no Brasil é mais desafiador devido ao alto grau de miscigenação e também pela subjetividade das pessoas sobre a determinação da raça e cor 9.
Estudos que investigam os fatores envolvidos na disparidade são essenciais para nós definirmos melhores estratégias para diminuir estas diferenças. Precisamos desenvolver mais projetos multidisciplinares com o objetivo de elucidar como os fatores biológicos e socioeconômicos podem modificar as taxas de incidência e mortalidade do câncer de mama nas diferentes raças e etnias no Brasil.
Hispânicos: são pessoas provenientes de Cuba, México, Porto Rico, países da América Central e do Sul, ou ainda de outro país de cultura espanhola.
Referências:
  1. Torre LA, Bray F, Siegel RL, Ferlay J, Lortet-tieulent J, Jemal A. Global Cancer Statistics, 2012. CA a cancer J Clin. 2015;65(2):87-108. doi:10.3322/caac.21262.
  2. Ademuyiwa FO, Edge SB, Erwin DO, Orom H, Ambrosone CB, Underwood W. Breast cancer racial disparities: Unanswered questions. Cancer Res. 2011;71(3):640-644. doi:10.1158/0008-5472.CAN-10-3021.
  3. Bandera E V., Makarinec G, Romieu I, John EM. Racial and Ethnic Disparities in the Impact of Obesity on Breast Cancer Risk and Survival: A Global Perspective.Am Soc Nutr. 2015;(5):803-819. doi:10.3945/an.115.009647.non-Hispanic.
  4. Curtis C, Shah SP, Chin S-F, et al. The genomic and transcriptomic architecture of 2,000 breast tumours reveals novel subgroups. Nature. 2012;486(7403):346-352. doi:10.1038/nature10983.
  5. Sims AH, Howell A, Howell SJ, Clarke RB. Origins of breast cancer subtypes and therapeutic implications. Nat Clin Pract Oncol. 2007;4(9):516-525. doi:10.1038/ncponc0908.
  6. Slamon DJ, Leyland-Jones B, Shak S, et al. Use of chemotherapy plus a monoclonal antibody against HER2 for metastatic breast cancer that overexpresses HER2. N Engl J Med. 2001;344(11):783-792.
  7. Dent R, Trudeau M, Pritchard KI, et al. Triple-negative breast cancer: clinical features and patterns of recurrence. Clin Cancer Res. 2007;13(15 Pt 1):4429-4434. doi:10.1158/1078-0432.CCR-06-3045.
  8. Daly B, Olopade OI. A perfect storm: How tumor biology, genomics, and health care delivery patterns collide to create a racial survival disparity in breast cancer and proposed interventions for change. CA Cancer J Clin. 2015;65(3):221-238. doi:10.3322/caac.21271.
  9. Soares LR, Gonzaga CMR, Branquinho LW, Sousa A-LL, Souza MR, Freitas-Junior R. Mortalidade por câncer de mama feminino no Brasil de acordo com a cor. Rev Bras Ginecol e Obs. 2015;37(8):388-392. doi:10.1590/SO100-720320150005319.
  10. Gonzaga CMR, Freitas-Junior R, Curado M-P, Sousa A-LL, Souza-Neto J-A, Souza MR. Temporal trends in female breast cancer mortality in Brazil and correlations with social inequalities: ecological time-series study. BMC Public Health. 2015;15(1):96. doi:10.1186/s12889-015-1445-7.