quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Acabar com racismo deve estar entre os Objetivos do Milênio





Seg, 22 de Agosto de 2011

Thelma Mejía, da IPS
411 Acabar com racismo deve estar entre os Objetivos do Milênio
Jesús Abad Colorado/IPS
Habitantes negras das aldeias do Rio Atrato,
na Colômbia.
Tegucigalpa, Honduras, 22/8/2011 – O primeiro encontro mundial da comunidade afrodescendente terminou no dia 20, na cidade de La Ceiba, na costa atlântica de Honduras, com uma declaração propondo incluir a luta contra o racismo nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Na Declaração de La Ceiba, representantes dos povos afrodescendentes afirmam que chegou o momento de a Organização das Nações Unidas (ONU) incorporar não apenas um novo Objetivo aos oito já estabelecidos, como também criar um Índice de Desenvolvimento Humano com “perspectiva de raça e etnia”.
“As Nações Unidas deve adotar a perspectiva de raça e etnia nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para garantir a integração dos desafios das comunidades e populações afrodescendentes”, diz o texto. Também exorta para que “seja adotado um nono Objetivo do Milênio relacionado com a redução substancial de todas as formas de racismo, discriminação racial, xenofobia e outras formas conexas de intolerância”. A discriminação em todas as suas formas aprofunda as brechas entre suas condições de vida e as de outros grupos sociais, “tornando difícil o cumprimento dos Objetivos do Milênio” por particular situação de pobreza e estigma que enfrentam.
Ao exigir que a ONU declare em 2012 a Década dos Povos Afrodescendentes, os representantes pediram a criação de um Fundo de Desenvolvimento para esse setor da população, bem como estruturas e orçamentos claramente definidos. A mesma proposta foi estendida à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à União Europeia. Representantes de pelo menos 40 países se reuniram por três dias na paradisíaca La Ceiba, uma das principais comunidades da etnia garífuna em Honduras, para debater a situação de seus povos, por ocasião da celebração do Ano Internacional dos Afrodescendentes (2011), declarado pelas Nações Unidas. Também deram seguimento e propuseram novas formas de cumprimento dos acordos celebrados há uma década em Durban, na África do Sul, contra a discriminação e o racismo.
Céleo Álvarez Casildo, principal incentivador da reunião, representante da hondurenha organização de Desenvolvimento Étnico Comunitário, disse à IPS: “Não queremos discursos políticos de compromisso que não se concretiza. Este encontro é para cobrar maior inclusão às nossas demandas e nossos direitos que seguiremos com um plano de ação e mecanismos de acompanhamento. Esta cúpula, como a chamamos, não é um fórum a mais. É o ponto de partida para sermos ouvidos. Aqui está reunida toda uma força mundial e espiritual de unidade disposta a se fazer ouvir para impulsionar um desenvolvimento humano sustentável com igualdade, sem exclusões de nenhum tipo”.
Por sua vez, Mohamed Chambas, da comunidade de povos africanos, disse que o desafio é “manter este progresso, porque aqui se plantou uma semente e é preciso regá-la para que cresça e tenha frutos”. Chambas disse à IPS que “nenhuma sociedade pode agora negar a importância da comunidade afrodescendente no mundo. Têm que nos incluir, e aqui em Honduras este esforço ganha maior força”.
O encontro debateu o cumprimento dos acordos internacionais contra o racismo e a discriminação, o problema da epidemia do HIV/aids, direitos humanos e acesso à justiça, problemas ambientais, saúde reprodutiva e condição marginal das mulheres afrodescendentes, sua cultura e identidade, entre outros aspectos. Pelo menos, 75 milhões de mulheres na América Latina e no Caribe vivem em condições de desigualdade, informou-se na cúpula.
A representante para a América Latina do Fundo de População das Nações Unidas (Fnuap), a hondurenha Marcela del Mar Suazo, disse à IPS que, no painel que abordou o problema da desigualdade de gênero, foi apresentado um informe sobre os direitos humanos das afrodescendentes na região. O estudo diz que, dos 150 milhões de mulheres que vivem na América Latina e no Caribe, metade sofre condições de desigualdade preocupantes.
  As expressões de racismo e discriminação contra as mulheres afrodescendentes são muito acentuadas em alguns países, por isso foram propostas políticas que garantam maior participação política e acesso à educação em todos seus níveis, voltada à valorização de suas culturas e capacidades. O ministro das Etnias de Honduras, Luís Green, disse à IPS que o governo do presidente Porfírio Lobo se prepara para incorporar reformas constitucionais que declarem este país uma nação multiétnica e pluricultural onde “não haverá espaços para a discriminação e o racismo”. Envolverde/IPS

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