segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Mulheres denunciam a violência no parto


Luciane Evans - Correio Braziliense
Publicação: 30/07/2012 


Cresce no Brasil denúncias de desrespeito e humilhações a gestantes. Em Minas Gerais, uma audiência pública será realizada nesta quarta-feira após mobilização. Médicos reconhecem que precisam rever procedimentos

Belo Horizonte — Era manhã de 18 de abril de 2012 e Ana Paula Garcia da Silva, de 30 anos, foi do céu ao inferno em poucas horas. Grávida do primeiro filho, Ana foi vítima, segundo denuncia, de agressões físicas e verbais cometidas por uma equipe médica de uma maternidade particular de Belo Horizonte. De onde esperava aconchego e respeito, ela ouviu palavras rudes, passou por procedimentos que não queria, sentiu-se humilhada e violada. E pior: saiu de lá sem sua menina, Mariana, que morreu 55 minutos depois de nascer. “Não consideraram os meus direitos. Deram-me anestesia à força. Os médicos faziam o que queriam e, depois, sumiram sem me dar explicações. Tudo o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara como práticas claramente prejudiciais ao parto foi aplicado a mim”, lamenta, revoltada.

Mas Ana Paula não está sozinha. Um grupo de mulheres que passou pelo serviço de obstetrícia particular ou público no Brasil e se sentiu de alguma forma desrespeitado está saindo do anonimato e se unindo para exigir mudanças reais. Em Minas Gerais, cansadas de esperar resposta dos órgãos de saúde, elas resolveram levar o caso à Comissão Estadual de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Nesta quarta-feira, participarão de audiência pública sobre o tema. Com o nome Violência no parto, o movimento acionou entidades médicas do estado e o Ministério Público para abrir o debate, que promete trazer à tona polêmicas que há anos estão em silêncio.

A ONU Mulheres, braço da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, está convidando indivíduos, organizações, grupos e redes para enviar observações por escrito sobre injustiças e violações dos direitos das mulheres em todo o mundo. O prazo para o envio pelo site http://www.unwomen.org/csw/ communications-procedure-es é nesta quarta-feira. O processo de comunicação tem como objetivo identificar as tendências emergentes da injustiça e práticas discriminatórias a fim de formular políticas públicas.

Insatisfeitas
Engrossando o coro, as mulheres carregam a tiracolo pesquisas nacionais que comprovam os abusos cometidos nas instituições durante os partos. Um deles, feito em 2010, é da Fundação Abramo e aponta que uma em cada quatro brasileiras sofreu algum tipo de violência durante a assistência obstétrica. As reclamações mais citadas são exame de toque doloroso, negativa para alívio da dor, falta de explicação para os procedimentos adotados e humilhações diversas. Outra análise, mais recente, é a da pesquisadora de pós-graduação do Programa de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Ana Carolina Franzon. Trata-se de uma ação de blogagem feita por ela neste ano que apontou: metade das mulheres que respondeu ao teste, aplicado na internet por meio de 75 blogs, disse estar insatisfeita com o atendimento obstétrico que receberam.

sábado, 25 de agosto de 2012

Campanha Mundial AVC 2012

Por: Isabel Cruz

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) não reconhece fronteiras. Pode afectar qualquer pessoa, a qualquer momento, independentemente da sua idade. Esta é novamente a mensagem central do Dia Mundial do AVC em 2012: 29 de Outubro. Promovida a nível internacional, pela World Stroke Organization (WSO), a campanha assenta no conceito «1 em 6» e alerta para o facto de que uma em cada seis pessoas irá ter um AVC ao longo da sua vida. Site da campanha 2012: http://www.worldstrokecampaign.org/2012/Pages/Home.aspx 
ATENÇÃO:
Se você, profissional de saúde, sabe inglês poderá se beneficiar dos cursos gratuitos online oferecidos pela World Stoke Academy (http://www.world-stroke-academy.org/home.php): hyperacute stroke, atrial fibrillation, etc.  Inclusive poderá obter certificação também.  

Sugestão de atividades para os eventos (ajudando na implantação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra)

- Promova eventos em sua unidade de saúde, cidade, seu bairro, sua escola, seu bloco de carnaval, sua escola de samba, sua comunidade de terreiro, sua igreja, etc, discutindo sobre os fatores de risco (pressão alta ou anemia falciforme [atingindo principalmente crianças] por ex) e o diagnóstico precoce do AVC (fala, força, etc), assim como a(s) razão(ões) da diferença racial no acesso ou no cuidado de saúde de alata complexidade, intensivo (terapia trombolítica, inclua o secretário de saúde nessa discussão, assim como o diretor médico das unidades de alta complexidade, etc..).
- Imprima e divulgue cartazes disponibilizados pelo Ministério da Saúde ou pela World Stroke Organization (produzem cartazes em português!)
- Publique no site dados epidemiológicos da sua comunidade/clientela desagregados por raça/cor, sexo e idade (sobre os fatores de risco: pressão alta, colesterolemia, etc) ,as  intervenções da sua unidade pela promoção da saúde e da equidade racial no acesso ao SUS e no tratamento de saúde baseado em evidência científica
- Organize seminários profissionais e com o movimento social, oficinas com pacientes/cuidadores e exposições para a comunidade sobre formas de zerar os casos de AVC e promover a reintegração social dos pacientes com sequelas, observando a desigualdade racial no Sistema Único de Saúde, prevenindo e combatendo o racismo na instituição de saúde (iniquidades na forma, por exemplo, de omissão, negligência do cuidado, cuidado sem base científica, desatualizado, etc)
- Crie eventos sobre a temática de saúde (prevenção do AVC) junto com as escolas (crianças com AF , grupos de escoteiros/bandeirantes, agremiações culturais, instituições religiosas, etc, para crianças e adolescentes ou para idosos ou para os trabalhadores sobre ações de promoção da saúde (controle da glicemia, da pressão, do estresse), diagnóstico precoce de doenças (diabetes, fibrilação atrial, etc) e adesão ao tratamento médico.
- Realize cafés-da-manhã (frutas, pão integral, saudável!!!), piqueniques, caminhadas e corridas 5K, 10K, etc, ajudando a promover práticas saudáveis de autocuidado
- Ajude a espalhar informação e conhecimento sobre saúde em sua comunidade.
- Promova mini-cursos para os/as pacientes e familiares sobre como prevenir ou cuidar do problema de saúde (ajudar os cuidadores com as práticas de reabilitação)
- Organize campanhas para o diagnóstico precoce ou a busca ativa de pessoas em risco para o problema (em especial pessoas que trabalham fora o dia inteiro), oferecendo horários alternativos de atendimento.