segunda-feira, 27 de maio de 2013

Cerca de 90% das mortes de grávidas poderiam ser evitadas com o atendimento adequado


#mortematernaNÃO

Um estudo da ONU aponta que cerca de 287 mil mulheres morrem diariamente no mundo por problemas relacionados à gravidez. São quase 800 casos por dia, sendo que 90% das mortes de mulheres grávidas poderiam ser evitadas com o atendimento adequado.
A morte materna é um assunto sério que precisa ser debatido pela sociedade. No Brasil, em especial, essa é uma das dez principais causas de morte de mulheres com idade entre 10 e 49 anos.

Para dar mais visibilidade ao tema tão preocupante e que atinge a população globalmente, na próxima terça-feira, 28 de maio, será realizado nas redes sociais o twittaço #mortematernaNÃO
A data foi escolhida por ser o Dia Internacional pela Saúde da Mulher e Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna. A iniciativa vai destacar que todas as mulheres têm direito à gravidez desejada e que todas as mulheres gestantes têm direito à atenção de alta qualidade, humanizada e não discriminatória, no pré-natal, durante o parto e no pós-parto.
O twittaço faz parte da Mobilização Nacional pela Promoção dos Direitos das Mulheres e Redução da Mortalidade Materna, uma ação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em parceria com redes e organizações da sociedade civil.
Durante todo o 28 de maio serão compartilhados, por meio da página do Fundo de População no Twitter (@unfpabrasil), com a hashtag #mortematernaNÃO, mensagens com informações sobre os índices de mortalidade materna no país, como garantir o acesso aos cuidados pre-natais de qualidade, à atenção obstétrica adequada, como evitar essas mortes e denunciar casos de violação do direito humano à maternidade segura.
No Brasil, de acordo com Ministério da Saúde, mais de 70% das mortes maternas são decorrentes de omissões, intervenções ou tratamentos incorretos ou, ainda, uma cadeia de eventos resultantes e relacionadas a essas causas.
A agência da ONU destaca a importância desta mobilização para ampliar o acesso à informação sobre direitos e cuidados com a saúde das mulheres grávidas para toda a sociedade, defendendo o atendimento de qualidade nos serviços de saúde, com respeito e igualdade.
Para saber mais, acesse a página da Mobilização Nacional pela Promoção dos Direitos das Mulheres e Redução da Mortalidade Materna – http://migre.me/eDk7Y – e leia a cartilha da Campanha pela Redução da Mortalidade Materna do UNFPA, disponível em http://bit.ly/10fN0Eh
Com informações da assessoria do UNFPA

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Municípios receberão R$ 2,4 milhões para qualificar atendimento a gestantes



Cada unidade de saúde receberá R$ 20 por gestante inscrita, como um incentivo de qualificação previsto no componente pré-natal da estratégia Rede Cegonha
Do Em Questão/Secom 
O Ministério da Saúde liberou o repasse de R$ 2,4 milhões para as unidades de saúde que cadastraram as gestantes atendidas na rede pública de saúde. Ao todo, serão contemplados 2.439 municípios de 26 estados, que fizeram a captação de 121.829 grávidas com até 12 semanas de gestação, de fevereiro de 2012 a fevereiro de 2013. A autorização do repasse foi definida na Portaria 752, publicada no último dia 7, no Diário Oficial da União.
 
Cada unidade de saúde receberá R$ 20 por gestante inscrita, como um incentivo de qualificação previsto no componente pré-natal da estratégia Rede Cegonha, criada em 2011 para intensificar e qualificar a assistência integral à saúde de mães e filhos, desde o planejamento reprodutivo, passando pela confirmação da gravidez, pré-natal, parto, pós-parto, até o segundo ano de vida do filho.Entre as ações do pré-natal está a captação precoce das gestantes – com até três meses de gestação – para que sejam realizados os primeiros exames e para a identificação de possíveis riscos à mãe e ao bebê.
 
O Sisprenatal Web é o software criado para que os gestores de saúde possam acompanhar a qualidade do cuidado às gestantes, desde o primeiro atendimento na Unidade Básica de Saúde até o atendimento hospitalar de alto risco. O sistema contribui, ainda, para identificar fatores que caracterizam a gravidez de risco.
 
 
 Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM
Presidência da República – PR

terça-feira, 14 de maio de 2013

Grupos de mulheres negras se destacam pela luta por direitos sociais na Bahia


Por: Mellyna Reis
Do:NE10/Bahia
No estado brasileiro onde os afrodescendentes representam mais de 80% da população, uma onda de movimentos sociais se fortalece gradualmente na era pós-abolição da escravatura. Mais do que reivindicar direitos coletivos, ao longo dos anos, os grupos feministas de negras da Bahia têm se articulado para conquistar espaço e visibilidade como mulheres e como negras. 
Passados exatos 125 anos da Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888, essas baianas engajadas carregam duas bandeiras em uma mesma luta. São militantes que enfrentam, diariamente e duplamente, o racismo e o machismo que ainda fazem muitas reféns de desigualdades remanescentes do tempo da escravidão no Brasil, principalmente nas relações de trabalho.
Prova disso é o estudo Panorama do Trabalho Doméstico, elaborado a pedido da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/ IBGE), o levantamento aponta que, dos 458 mil trabalhadores domésticos existentes na Bahia (2007), quase 79,2% são mulheres negras, 14,3% são mulheres não negras, 5,8% são homens negros e 0,7% são homens não negros. 
» Clique na imagem e confira o resultado do estudo:
Em tempos de intolerância marcofeliciana, as militantes baianas seguem na vanguarda das líderes quilombolas e continuam lutando por uma liberdade que possibilite o fim das disparidades salariais, do pouco acesso a níveis elevados de formação, do celibato involuntário e dos elevados índices de desemprego, miséria e violência. 
Foi com esse pensamento que, em agosto de 2010, um grupo de baianas fundou o Odara – Instituto da Mulher Negra. A principal bandeira dessa organização feminista genuinamente afro é superar, em nível pessoal e coletivo, a discriminação e o preconceito, e buscar alternativas que proporcionem a inclusão sociopolítica e econômica das mulheres negras e de seus familiares na sociedade.

domingo, 5 de maio de 2013

A SEXUALIDADE DA MULHER NEGRA


Por Jarid Arraes para as Blogueiras Negras
A sexualidade é um campo diverso e subjetivo e, por isso, nada a seu respeito é unânime. A construção sexual de cada pessoa é única, não podendo jamais ser caracterizada de forma universal. No entanto, a reação da sociedade com relação à sexualidade feminina costuma ser bastante semelhante para diversas mulheres no mundo. Isso se dá em grande parte por conta das influências do patriarcado. Esse sistema de organização social subjuga todas as mulheres, mas o quadro é especificamente complicado para as mulheres negras.
Todas as mulheres são objetificadas culturalmente e usurpadas de qualquer autonomia. Para elas, há um processo compulsório a ser vivido para que a soberania sobre a própria sexualidade seja retomada das mãos do patriarcado. É necessário um esforço extremamente desgastante para conseguir sair da posição de objeto, sem direito a voz, e obter competência sobre a própria vida sexual.

O MACHISMO CONTRA A MULHER NEGRA

A forma como a manutenção sobre a sexualidade feminina é exercida varia de acordo com as outras interseccionalidades da mulher em questão. Uma mulher negra sofre os efeitos do machismo e do patriarcado de forma diferente de uma mulher branca. Um bom exemplo para se refletir está no caso da Quvenzhane, uma garota negra de 9 anos que foi chamada de “cunt” (uma palavra derrogatória para se referir às mulheres, mais ou menos equivalente a “buceta” em português) em um site de paródias de notícias. A reação das pessoas foi de relevar a ocorrência por se tratar “somente de uma piada”. Mas quando uma mulher branca diz a mesma palavra na televisão, as pessoas se chocam. Essa diferença na percepção das situações não é livre de influências socioculturais e, por isso, mesmo que inconscientemente, muitas pessoas conseguem relevar o caso da Quvenzhane – apesar de ser uma criança e vítima de violência de cunho sexual – somente pelo fato dela ser negra.

CARTA DE RECIFE: Compromisso com a marcha das Mulheres Negras Brasileiras



articulacao de mulheres negras brasileiras

Nós, mulheres negras do Nordeste do Brasil, reunidas no Seminário Tecendo a Rede de Mulheres Negras do Nordeste, realizado nos dias 27 e 28 de abril de 2013, em Recife, Pernambuco, declaramos nosso reconhecimento e nosso compromisso com o processo de construção da Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo e Pelo Bem Viver.
Consideramos de extrema importância essa iniciativa da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras no atual contexto de persistência das desigualdades raciais e de gênero na sociedade brasileira, de avanço dos fundamentalismos, de crescente criminalização dos movimentos sociais e retrocessos em direitos já conquistados.
O Estado não tem sido capaz de dar respostas efetivas que alterem significativamente esse quadro. Apesar de alguns avanços no marco legal, sendo o Brasil signatário de diversos instrumentos internacionais de proteção de direitos das mulheres e da população negra, temos assistido com preocupação a sistemática violação dos direitos das mulheres negras, o que é agravado no Nordeste pelas desigualdades regionais e pelas marcas deixadas pelo poder exercido pelas oligarquias na nossa região.
Reconhecemos a luta da nossa história, mulheres negras contra o racismo e o sexismo, protagonizadas desde o período da escravidão no Brasil, nos quilombos, mocambos, terreiros e irmandades, e é com a força dessa ancestralidade que seguimos resistindo e nos organizando para enfrentar coletivamente as diversas formas de violência, discriminação, subordinação e opressão que nos atingem.
Entendemos que o momento exige uma demonstração contundente da nossa indignação, em caráter nacional, e por isso chamamos cada mulher negra nordestina a se envolver na organização da Marcha, contribuindo para que a ela reflita o conjunto das realidades, contextos e reivindicações das mulheres negras do nosso país.

Recife, 28 de abril de 2013