quinta-feira, 3 de julho de 2014

Saúde da população negra, males da desigualdade

A Revista Radis deste mês de julho apresenta como capa uma discussão sobre a Saúde da População Negra e as desigualdades. Na revista você poderá ver informações sobre a situação da saúde da população negra na atualidade, assim como depoimentos e entrevistas de militantes do campo da saúde. Recomendo, Boa leitura!
 
 
Vivemos em um mundo desigual. Mas, enquanto alguns atuam para perpetuar a barbárie, há quem lute para reduzir iniquidades ou realizar grandes transformações.
Em todo o planeta, ação e inação de corporações e Estados estão na raiz das iniquidades em saúde. As condições de vida insatisfatórias ou degradantes das populações, especialmente as mais vulneráveis, pobres e marginalizadas, não são obra do destino, mas de decisões políticas, de escolhas do modo de produção e de modelos de desenvolvimento que colocam o mercado e o capital acima da vida humana. Assinado por 18 especialistas de diversos continentes, artigo da revista britânica Lancet afirma que as iniquidades em saúde têm origem política e podem ser alteradas com escolhas políticas, decisões em fóruns internacionais que interfiram em setores como segurança, mercado financeiro, comércio, ambiente, trabalho. Os autores pregam mudanças na governança mundial.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, discriminação por raça/etnia reduz oportunidades e a taxa de desocupação (trabalho e estudo) é maior entre negros. Qualidade e as condições de vida estão sujeitas à discriminação de raça/cor, assim como o acolhimento e o tratamento nos serviços de saúde. Nossa matéria de capa aborda mais uma vez a questão da saúde da população negra no Brasil, diante das críticas de que as políticas pactuadas não são integralmente implementadas no SUS.
Ao longo da história da humanidade, o trabalho escravo e a exploração infantil são duas das mais degradantes condições impostas pela mão do próprio homem. Na seção Súmula dois exemplos da contribuição do empresariado brasileiro, na contramão das atuais políticas públicas. Ainda há trabalho infantil no país, com oito em cada dez crianças em atividades de risco como atendentes de lanchonete, embaladores, repositores de mercadorias, auxiliares de escritório, vendedores de comércio varejista e trabalhadores agropecuários. No Congresso Nacional, os ruralistas tentam vergonhosamente atenuar o conceito de trabalho análogo ao de escravo em lei que vai regulamentar Emenda Constitucional aprovada no Senado, que prevê a desapropriação de propriedade onde exista trabalho nessas condições.
Reportagem sobre mestrado organizado por duas escolas que levam o nome de Sergio Arouca e Florestan Fernandes revela que temas relevantes serão pesquisados por 28 trabalhadores do campo e do SUS e integrantes de movimentos sociais: resíduos de agrotóxicos em merenda escolar no Mato Grosso, impactos da monocultura de eucalipto no Sul da Bahia, papel da escola em um assentamento de Rondônia, impactos na saúde de famílias atingidas pela construção de  usina hidrelétrica em Tocantins, saúde das catadoras de caranguejos na Amazônia, tecnologias de convivência com o Semiárido nordestino e a preparação dos profissionais de saúde da família para lidar com a saúde do trabalhador na área rural e com tema dos agrotóxicos nas cidades, entre outros.
As matérias desta edição apontam para uma síntese que está na essência do jornalismo do Programa Radis: não há saúde possível sem o livre exercício da crítica
 
Autor:  Rogério Lannes Rocha
Editor-chefe e coordenador do Programa Radis

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