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Mostrando postagens de Novembro, 2014

Campanha contra racismo no SUS dá voz a quem sofre preconceito, diz ONG

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Aline Leal - Repórter da Agência Brasil Ativistas do movimento negro não viram sentido no repúdio que o Conselho Federal de Medicina (CFM)  manifestou à campanha contra o racismo no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundoa coordenadora da organização não goveramental (ONG) Criola, Lúcia Xavier, várias entidades já reconheceram que existe racismo no SUS e a campanha é uma forma de dar voz à população que enfrenta o problema. “Quando a gente fala em discriminação, não quer dizer que um negro entra no posto e é xingado. O que a gente acentua é a discriminação que tem por base o modo como a instituição promove os serviços e olha para a pessoa, não escuta as queixas, não a trata com cidadania, sabe que a população negra tem alguns agravos na saúde por causa da raça, e isso não é levado em consideração”, explicou Lúcia. Para ela, a manifestação do CFM é descabida, pois a campanha vem enfrentar um problema reconhecido pelo Ministério da Saúde e outras entidades. A coordenadora ressalta que o prob…

Mulheres e negras, todas as formas de violência pelo simples fato de existir

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Por Emanuelle Goes*
Durante este ano venho observando, muito por conta do Blog População Negra e Saúde, o quanto as mulheres negras são violadas e violentadas em todo mundo pelo simples fato de existir e pela pertença racial negra. Irei fazer uma reflexão em alusão aos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher que começa no dia 25 de novembro e ao novembro negro.
Como as violências e as violações são muitas nos diversos campos da vida das mulheres negras, neste texto irei me remeter somente e tão somente a questão da saúde e mesmo assim não darei conta. Ao mesmo tempo, em meio às leituras que venho fazendo, considero que o campo da saúde é estratégico para a eliminação dos indesejados, a formação da nação, assim como o controle dos corpos das mulheres.
Raça, racismo e gênero foram/são igualmente importantes para a medicina eugênica, pois era pelas uniões sexuais que as fronteiras entre as raças eram mantidas ou transgredidas. Por isso, a eugenia, gênero e raça ficaram li…

MINISTÉRIO DA SAÚDE SUSPENDE CAMPANHA DE COMBATE AO RACISMO NO SUS

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Ana Flavia Magalhães Pinto
Estava previsto para hoje o lançamento oficial da campanha "SUS sem Racismo", a se realizar durante a reunião da Comissão de Intergestores Tripartite (CIT). A despeito da seriedade da ação, convites foram enviados apenas ontem por volta das 17h30. Esses, todavia, foram pouco depois cancelados.
A razão para tanto é que o Ministério da Saúde decidiu pela suspensão da Campanha. As peças produzidas previam intervenção nos jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol, comerciais de TV (até mesmo no intervalo do Jornal Nacional), inclusão do item nos espaços de comunicação do Ministério da Saúde, entre outras. Uma vez que vários ministros já reconheceram a arraigada presença do racismo no SUS, a Campanha SUS sem Racismo viria como uma estratégia para estimular os usuários a denunciarem as práticas discriminatórias, uma vez que a solução do problema passa pela identificação detalhada de como ele acontece e pelo desenvolvimento de medidas voltadas à transformaçã…

20 de novembro: um dia para lembrar a discriminação cotidiana das mulheres negras

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(Luciana Araújo / Agência Patrícia Galvão) No Brasil, o dia 20 de novembro marca, além do Dia da Consciência Negra, o início das atividades dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. O calendário, que internacionalmente tem início no 25 de novembro (Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher) e vai até o dia 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos), foi antecipado no País para resgatar o peso que o racismo estruturante e estrutural vigente em nossa sociedade tem na maior vulnerabilidade das mulheres negras à sistemática violação dos direitos humanos. Desigualdades de gênero e raça em números Conforme apontou o Informe Anual 2013-2014: O Enfrentamento da Violência contra as Mulheres na América Latina e no Caribe, publicado pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) no início deste mês, as violações à integridade física, moral ou psicológica da mulher não podem ser analisadas fora do contexto social. E todos os…

Reflexão 20 de Novembro: Igualdade de gênero para as mulheres negras ainda parece sonho

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A desigualdade para as brasileiras negras é dupla. Além das diferenças em relação aos homens, suas condições de vida se comparadas às das brancas estão longe de serem equivalentes
Por:  no Ponte
Há um abismo a ser vencido pelas mulheres negras (pretas e pardas) quando se trata de igualdade de gênero no Brasil. Além das diferenças em relação aos homens, suas condições de vida quando comparadas às das brancas ainda estão longe de serem equivalentes. É uma dupla desigualdade. Mesmo os avanços na realidade socioeconômica das brasileiras registrados entre 2000 e 2010, segundo dados do IBGE, especialmente na educação e na participação no mercado de trabalho, não foram suficientes para trazer a população feminina negra a patamares próximos das mulheres brancas. Relatório Estatísticas de Gênero – Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010, produzido pelo IBGE, divulgado recentemente, mostra que elas continuam atrás em renda, escolarização, qualidade do trabalho e sane…

Estereótipos sexuais e as “negas”

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Zelinda Barros¹
O impacto provocado pela série Sexo e as negas é sintomático. Na TV, assim como ocorre em outros espaços sociais, ocupamos muito menos espaço do que deveríamos e, nas poucas vezes em que lá estamos, somos quase que exclusivamente representadas/os por autores/as brancos/as, que falam sobre nós e nossas experiências partindo de um olhar enviesado. Nesse caso específico, o autor branco recorre a estereótipos sobre mulheres negras para representar as nossas experiências. Uma feminista negra estadunidense, bell hooks*, ao analisar a forma como o feminismo liberal considerava a mulheres negras nos EUA, refletiu sobre alguns elementos que podem ser úteis à reflexão sobre o que ocorre aqui no Brasil, uma vez que trata de questões referidas à população negra na diáspora, não apenas ao contexto estadunidense. Na tentativa de reverter a repercussão negativa da série em segmentos representativos da população negra, alguns vídeos em solidariedade ao autor da série O sexo e as negas v…

Anistia Internacional lança campanha sobre o alto índice de homicídios de jovens

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A Anistia Internacional lança no domingo (09/11), às 10h, na pista de skate do Aterro do Flamengo (altura do Museu da República), Rio de Janeiro, a campanha Jovem Negro Vivo. A mobilização chama a atenção para o alto número de mortes de jovens no país, em especial entre a juventude negra. “Além de ser um país com um dos maiores índices de homicídios no mundo, o Brasil está matando mais seus jovens e, entre estes, os negros. Os números são chocantes. Dos 56 mil homicídios que ocorrem por ano, mais da metade são entre os jovens. E dos que morrem, 77% são negros. A indiferença com a qual o tema é tratado na agenda pública nacional é inaceitável. Esteve presente de forma tímida no debate eleitoral, está fora das manchetes dos jornais. Parece que a sociedade brasileira naturalizou esta situação”, afirma Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional Brasil. Com a campanha Jovem Negro Vivo, a Anistia Internacional convida todas as pessoas a conhecer e contribuir para mudar esta reali…

NOVA CHAMADA para publicação de artigos: MULHERES NEGRAS E ABORTO, AUTONOMIA E LIBERDADE

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SISTERHOOD Nº 01: MULHERES NEGRAS E ABORTO, AUTONOMIA E LIBERDADE
Para refletir e dialogar sobre o impacto do aborto inseguro na vida das mulheres negras a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), juntamente com o Odara - Instituto da Mulher Negra está realizando a chamada de artigos com a finalidade de convocar pesquisadoras e o movimento de mulheres negras para junto conosco construir a publicação do livro: Sisterhood nº 01: Mulheres Negras e Aborto, Autonomia e Liberdade.
O objetivo principal da publicação é visibilizar pesquisas e experiências sobre as mulheres negras e a situação do aborto no Brasil. Sabe-se que os abortos inseguros realizados por mulheres no Brasil e em todo mundo são considerados um grave problema de saúde pública, uma violação do direito à vida, à autonomia e liberdade das mulheres. No entanto é preciso apresentar o cenário a que as mulheres negras estão submetidas por conta das desigualdades raciais, do racismo, sexismo e de outras interseccionalidade…

Racismo faz mal à saúde

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O artista Arthur Bispo do Rosário, “o Bispo”, e detalhe de seu “Manto da Anunciação”
A afirmação “RACISMO FAZ MAL À SAÚDE MENTAL” tem como premissa o notório e indesejável efeito do racismo, que pode se configurar como sofrimento psíquico. Reconhecer as expressões manifestas ou tácitas do racismo e seus efeitos em indivíduos e na coletividade é um primeiro passo para dimensionar suas implicações na conformação do sofrimento psíquico. É imprescindível que reflexões dessa ordem permeiem as relações sociais e comunitárias. É importante que as implicações do racismo estejam presentes, também, como parte do saber e fazer dos serviços de saúde e, sobretudo, nas práticas relacionadas mais diretamente à saúde mental. Propósito disso é o aprimoramento da atenção e do cuidado oferecido pela Rede de Atenção Psicossocial do SUS – RAPS, de modo a envolver em suas práticas, um olhar sobre os efeitos do preconceito e da segregação, referencialmente imbricados nas questões étnico raciais em nossa cult…