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Mostrando postagens de Fevereiro, 2015

Teorias e práticas científicas legitimam produção de iniquidades, alertam pesquisadores reunidos no Recife

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Autor:  Adriano De Lavor O Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz Pernambuco) promoveu, em novembro de 2014, o 1º Seminário Nacional sobre os impactos do Racismo na Ciência e na Saúde, reunindo gestores, pesquisadores e ativistas de variadas áreas de conhecimento. Na palestra de abertura, Mônica Oliveira, assessora da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade racial da Presidência da República (Seppir), abordou as questões relacionadas ao racismo institucional, observando que é inegável que a população negra brasileira vive em piores condições de vida, fato que repercute em sua saúde. 
“Vivemos em uma sociedade racializada”, contextualizou, chamando atenção para uma pesquisa realizada em 2003, pela Fundação Perseu Abramo, que indicou que 90% dos entrevistados reconheceram haver racismo no país, sem no entanto se identificarem como racistas. “Isto é uma esquizofrenia”, classificou. Mônica lembrou que quase 10% do plano traçado na Conferência de Durban, em 2000, trata do…

Carta aberta ao Governador Rui Costa e a Sociedade Baiana: 13 – “AZAR PARA OS NEGROS BAIANOS, GOVERNADOR?”

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Salvador, 11 de fevereiro de 2015 “Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar…” (Adoniram Barbosa, 1964)
Para a numerologia, o 13 simboliza coragem, iniciativa e disposição para correr riscos. Representa a autoconfiança e o otimismo de acreditar no melhor da vida, além da reação de leveza e liberdade que acompanha essa atitude positiva perante os desafios. Porém, para o censo comum, 13 é sinônimo de azar. Treze foi o numero de jovens negros que sofrerem atentado na última sexta-feira, dia 06/02. 12 foram sumariamente assassinados: Rafael de Oliveira Cerqueira (19 anos); Natanael de Jesus Costa (17 anos); Vitor Nascimento (20 anos); Alexandre Leal (22 asnos); Luan Lucas Vieira de Oliveira (20 anos); Elenilson Santana da Conceição (22 anos); Tiago Gomes das Virgens (19 anos); Everson Pereira dos Santos (26 anos) Caique Bastos dos Santos (16 anos); Jeferson Rangel (19 anos); Agenor Vitalino (19 anos); L. M. B (15 anos) e Arão de Paulo Santos (23 anos) – sobrevivente ferido na ação. Todos ide…

Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina

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Todos os anos mais de três milhões de meninas e mulheres estão em risco de serem submetidas a mutilação genital feminina – são aproximadamente 8.000 todos os dias. A Anistia Internacional, ao relembrar o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina nesta sexta-feira (6) reitera a necessidade urgente de os Estados lutarem contra esta grave violação de direitos humanos. A mutilação genital feminina, que consiste na excisão total ou parcial dos órgãos genitais, é mais comum de ser realizada em jovens de até 15 anos, mas ocorre também em mulheres adultas em observação de costumes e rituais regionais. Não traz nenhum benefício de saúde para as mulheres e meninas, pelo contrário, pode resultar em hemorragias graves, problemas urinários e, mais tarde, quistos, infeções e infertilidade, assim como complicações sérias do parto e riscos de morte natal. No mundo, vivem atualmente mais de 140 milhões de mulheres e meninas que foram sujeitas a alguma forma de mutilação genital f…

“Não me corta!” Mulheres imploram, mas mesmo assim são mutiladas durante parto normal

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Rita Lisauskas, O Estadão O nascimento de Pedro foi um pesadelo para a mãe dele, Milena Caramori, na época com 23 anos. A engenheira florestal chegou ao Hospital Sorocabana em Botucatu, interior de São Paulo, depois de uma madrugada em trabalho de parto. Teve as pernas amarradas e, por isso, não conseguia fazer força o suficiente para dar à luz. Para “ajudar” o bebê a nascer a enfermeira subiu na barriga de Milena espremendo o ventre dela com o peso de seu corpo (a manobra de Kristeller é sabidamente responsável por lesões sérias na mulher e, por isso, desaconselhada há décadas.) Mas o pesadelo não terminava por aí. Sem nenhuma anestesia, a médica fez uma episiotomia em Milena, ou seja, cortou o períneo, região entre a vagina e o ânus, para ampliar o canal de parto e também “ajudar” o bebê a nascer. “Eu gritava. Eu só conseguia gritar”, lembra. O parto foi assistido por diversos residentes e o marido de Milena foi deixado de fora “porque a sala estava lotada”. Pedro nasceu e um residen…