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Mostrando postagens de Março, 2015

Estudantes negros/as, racismo e saúde mental

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*Emanuelle Goes

Tiago Marley, estudante negro do curso de graduação em Filosofia na Unifesp, se suicidou, causa básica da morte foi racismo. O racismo é um fenômeno que atinge frontal e letalmente a população negra em todos os lugares.
Quando li a noticia sobre a morte de Tiago me recordei em seguida, de uma atividade que participei na Escola de Enfermagem da UFBA sobre Desigualdades de Gênero e raça e saúde, na abordagem do assunto poderia ter falado sobre acesso das mulheres negras aos serviços de saúde, no entanto conduzir a minha fala sobre a saúde dos/das estudantes negros/as cotistas. Pois, a luta diária contra a opressão racial e o racismo institucional na Universidade possivelmente causa ou causará os danos à saúde mental desses/as jovens.
A permanência dos/das cotistas na Universidade precisa ser garantida com o suporte emocional, na escuta da vida em muitos diálogos com militantes do movimento negro e de mulheres negras ouvir relatos de humilhação constante, alem de ter que p…

Médica sofre racismo por usar dreads

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Ofensiva Negritude – Facebook, no GGN Boa noite coordenadores do Programa Mais Médicos Sou médica brasileira formada no exterior e revalidada, alocada no município do Paraná, na cidade de Santa Helena na segunda chamada. Hoje pela tarde, a Secretária municipal de saúde, Sra Teresinha Bottega e sua secretária, Cristiane, me chamaram para organizarmos as atividades a serem realizadas na estratégia de saúde da família. Porém ao entrar na sala da Secretária de saúde, a mesma verbalizou que sentia muito falar disso, porém havia um problema: meu cabelo. Que os pacientes estavam acostumados com um padrão de médicos, e que eu poderia encontrar dificuldades pelo preconceito que meus pacientes poderiam ter com meu cabelo. A Sra Cristiane perguntou se eu usava aplique, que meu cabelo exalava um cheiro forte, estranho, e a Sra Teresinha completou que parecia incenso. Eu falei que estamos dentro de uma sociedade onde 50% e mais da população é negra, e que o contexto sócio-histórico no qual estamos in…

Depressão e ansiedade: o que o racismo causou à minha saúde e as 10 lições aprendidas

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Por Gabriela Moura, do  Nada sob Controle

Após anos escondendo a sete chaves, parece que não sou tão boa atriz como pensava. Volta e meia recebo mensagens de gente perguntando se estou bem. Inclusive de amigos médicos. O mais recente, que é psiquiatra, me disse: Você tem todos os sintomas clássicos de depressão, passa no meu consultório pra gente conversar. Mal sabe ele que eu já sei de tudo isso, e já venho lutando contra esse vazio absurdo no qual me afogo dia após dia. Mal sabe ele que eu sei o motivo de a minha respiração ser sempre ofegante e da minha insônia. Mas eu ainda clamo por ajuda. Eu tenho uma amiga que me diz para não comentar nada em público, porque, infelizmente, muitas pessoas parecem se alimentar da tristeza alheia. Como abutres, sabe? Eu sei que ela tem razão, mas eu espero que esse texto ajude as pessoas a entenderem que buscar ajuda é fundamental. Eu tenho vinte e sete anos, e é claro que eu não vou lembrar da primeira vez em que entendi estar sendo vítima de racism…

PORQUE NOS MANIFESTAR OU MARCHAR?

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Diosmar Filho[1]

Se é preciso motivo para nos manifestar em defesa das instituições públicas, o   Governo da Presidenta Dilma, o PT e a “democracia”, frente a agenda midiática das panelas Le Cruset da cidadania do consumo neste fim de semana.
A matéria de Carta Capital Redemocratização incompleta perpetua desigualdades no Brasil, diz relatório[2]do Relatório Final da Comissão Estadual da Verdade Paulista “Rubens Paiva”, se torna um bom motivo para no mínimo o debate escrito.
É intrigante que os relatórios das Comissões Nacional ou Estadual, conseguem pensar na redemocratização de um país que não era democrático antes da ditadura e depois dela. Isso porque o racismo perdurou-perdura antes e depois na vida da população negra, que representa mais que 51% da totalidade populacional. E todas as violências se abatem sobre as mulheres e homens negros neste país, e principalmente o seu futuro a sua juventude.
Ao se falar em redemocratização e desigualdade, esquecem que vivemos numa sociedade, …

Seminário: Mais direitos, mais poder, mais Saúde e Menos violência

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8 de março, celebrar o que? Nós, mulheres negras marchamos

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Por Emanuelle Goes*


8 de março, dia internacional da mulher, o que vão celebrar? Na verdade não sei o que celebrar, ao meu redor só existe dor, sofrimento e opressão, no entanto tenho esperança, e a esperança surge na resistência negra, na minha ancestralidade negra, há esperança em nosso protagonismo, na Marcha Nacional das Mulheres Negras que tem sua demanda orientada para o enfrentamento do racismo, sexismo, violência e pelo bem viver.
Enquanto não tivemos a nossa liberdade de corpo inteiro, não há motivo para celebrar 8 de março. Enquanto fomos desumanizadas, vistas com menor valor, nós marcharemos, pois para os serviços de saúde somos resistentes a dor, capazes de suportar todos os tipos de pesos, não somos resistentes, somos Resistência.
Sempre que escrevo sobre desigualdades, gosto de trazer dados, na verdade gosto deles, dos números, no entanto, na maioria das vezes não gosto do que apresentam.
A fonte dos dados foi o IBGE, no Sistema de Informação de Indicadores de Gênero, acho…

Saúde da mulher, exploração sexual e aborto: o Brasil precisa rever suas políticas

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Relatório que monitora recomendações da ONU sobre direitos da mulher aponta que o país pouco avançou nessas pautas nos últimos anos, indo na contramão da legislação internacional. Com um Congresso mais conservador, a desigualdade de gênero pode aumentar Por Ivan Longo O enfrentamento pouco efetivo de temas como aborto, exploração da prostituição e acesso à saúde vem tornando o Brasil um país mais atrasado no âmbito internacional em relação aos direitos da mulher, contribuindo para a manutenção da desigualdade de gênero. Em relatório do Comitê da Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Descriminação contra a Mulher (Cedaw), da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em fevereiro, foi constatado que o país pouco avançou nesse sentido e seguiu pouquíssimas recomendações da organização. A Cedaw foi aprovada pela ONU em 1979 e, desde então, estabelece recomendações aos países em relação aos direitos da mulher e avalia o cumprimento dessas recomendações. Em 2014, o Brasil est…

Mulheres negras, racismo e a (não) garantia dos direitos reprodutivos*

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Emanuelle F. Goes Hanna Moore  Juliana Figueiredo

A garantia do direito reprodutivo e a sua efetivação é um horizonte a ser alcançado, pois na atualidade as mulheres ainda sofrem violação desse direito que são garantidos em documentos e tratados internacionais no que ser refere aos direitos das mulheres e aos direitos reprodutivos. De acordo com Ventura (2010) os Direitos Reprodutivos: “são constituídos por princípios e normas de direitos humanos que garantem o exercício individual, livre e responsável, da sexualidade e da reprodução humana. E, portanto, o direito subjetivo de toda pessoas decidir sobre o numero de filhos e os intervalos entre nascimentos, ter acesso aos meios necessários para o exercício livre de sua autonomia reprodutiva, sem sofrer discriminação, coerção, violência ou restrição de qualquer natureza”. Já a Saúde Reprodutiva é definida como (UNFPA, 2008): "A saúde reprodutiva é o estado de bem-estar físico, mental e social em todos os aspectos relacionados ao sistem…