domingo, 8 de março de 2015

8 de março, celebrar o que? Nós, mulheres negras marchamos

Por Emanuelle Goes*



8 de março, dia internacional da mulher, o que vão celebrar? Na verdade não sei o que celebrar, ao meu redor só existe dor, sofrimento e opressão, no entanto tenho esperança, e a esperança surge na resistência negra, na minha ancestralidade negra, há esperança em nosso protagonismo, na Marcha Nacional das Mulheres Negras que tem sua demanda orientada para o enfrentamento do racismo, sexismo, violência e pelo bem viver.

Enquanto não tivemos a nossa liberdade de corpo inteiro, não há motivo para celebrar 8 de março. Enquanto fomos desumanizadas, vistas com menor valor, nós marcharemos, pois para os serviços de saúde somos resistentes a dor, capazes de suportar todos os tipos de pesos, não somos resistentes, somos Resistência.

Sempre que escrevo sobre desigualdades, gosto de trazer dados, na verdade gosto deles, dos números, no entanto, na maioria das vezes não gosto do que apresentam.

A fonte dos dados foi o IBGE, no Sistema de Informação de Indicadores de Gênero, acho interessante este sistema, sugiro que acessem para obter informações numéricas, do qual já sabemos, é fato, pois o nosso cotidiano insiste em nos revelar todos os dias. Vou apresentar dados sobre educação, campo este que as mulheres universais avançam muito, no entanto isso não acontece com as mulheres negras com a mesma velocidade, pois temos uma pedra no caminho, sim, ele mesmo o racismo, nos impede de estarmos em patamar equitativo das mulheres brancas.

Em todas as figuras apresentadas logo em seguida, vamos observar as mulheres negras em situação de desigualdade quando comparamos com as mulheres brancas.

Fonte: IBGE/Estatística de Gênero 

Fonte: IBGE/Estatística de Gênero 


Fonte: IBGE/Estatística de Gênero 

Não irei descrever cada figura, pois ela por si só revela o que queremos saber e nos dar horizonte, como um lembrete, do porque precisamos de uma agenda que nos considere e nos visibilize. Por isso marchamos, Marcha das Mulheres Negras, “UMA SOBE E PUXA A OUTRA!”


*Blogueira, Enfermeira, Odara Instituto da Mulher Negra, Doutoranda em Saúde Pública/UFBA


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