domingo, 24 de maio de 2015

Fistula obstétrica, do que se trata?

23 de Maio, Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica, algumas situações de violações de direitos e da saúde sexual e reprodutiva não são muito conhecida por nós, e a Fistula Obstétrica é uma delas, tem uma campanha das Nações Unidas que defende e contribui com estratégias para o fim da Fistula Obstétrica. Apresento abaixo um pouco do que é a fistula obstétrica.


O que é Fistula Obstétrica

Uma fístula obstétrica é um buraco formado entre a vagina e a bexiga ou o canal retal, através do qual urina e fezes escapam continuamente. São ferimentos devastadores resultantes de complicações no parto, que afetam mais de 2 milhões de mulheres no mundo. Embora qualquer mulher possa estar suscetível a fístulas, a maioria dos casos ocorre em países africanos. É um problema amplamente escondido, que afeta jovens mulheres que dão à luz em casa em regiões remotas e pobres, com acesso limitado, ou nenhum acesso, a cuidados de saúde materna.

Se uma mulher sobrevive a um parto complicado e adquire, como resultado, uma fístula obstétrica, é comum que sua família e a comunidade a isolem. Devido a essa exclusão social, é ainda menos provável que a mulher receba cuidados.

O que causa a fístula?

Praticamente todas as ocorrências de fístula são resultantes de partos obstruídos. Em regiões remotas da África, onde há poucos hospitais e parteiras e cuidados obstétricos são raros, complicações podem prolongar o parto por dias. Sem acesso a cesarianas de emergência, essas complicações podem ser fatais. No entanto, se a mulher sobrevive ao parto, ferimentos permanentes ao canal de parto são comuns.

Durante um parto, o nascimento do bebê pode ser interrompido devido ao tamanho da cabeça da criança, muito grande para a pélvis da mãe, ou mesmo ao tamanho da pélvis, que pode ser muito pequena. Um parto também pode ser interrompido se o útero não estiver se contraindo adequadamente.

Enquanto a cabeça do bebê pressiona uma parte do canal de parto, o tecido que o reveste eventualmente morre e cria um buraco, a fístula, uma conexão anormal entre a vagina e a bexiga, a vagina e o canal retal, ou ambos.

Essa ruptura jamais vai se curar naturalmente, e é comum que o bebê nasça morto, o que causa ainda mais sofrimento à mãe. Embora os casos sejam raros, nossos cirurgiões também trataram um pequeno número de ocorrências da fístula obstétrica resultantes de violência sexual extrema.


Mensagem por ocasião do Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica

Foram alcançados progressos significativos na melhoria da saúde sexual e reprodutiva e no avanço dos direitos reprodutivos desde a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, realizada no Cairo, em 1994. Mas muitas pessoas, especialmente as mais pobres e vulneráveis, ainda não têm acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva de boa qualidade, incluindo os serviços de atenção a emergência obstétrica, que podem salvar suas vidas. Mulheres e meninas que vivem com fístula estão entre as mais excluídas e negligenciadas, e a persistência da fístula é um exemplo grave de desigualdades e da negação de direitos e dignidade.

O tema do Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica este ano é "Acabar com a fístula e restaurar a dignidade das mulheres", que se apresenta em momento oportuno e crucial. Na medida que se conclui o período dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e o mundo constrói uma nova agenda de desenvolvimento, temos uma excelente oportunidade para colocar os direitos e a dignidade das mulheres e meninas - incluindo aquelas privadas de direitos e visibilidade – no centro de uma agenda focada em pessoas, impulsionada pela equidade e baseada em direitos. Somente então poderemos transformar em realidade a visão de acabar com as mortes e lesões materno-infatis evitáveis, tornando real o mundo que queremos.

A Campanha Global pelo Fim da Fístula Obstétrica, lançado em 2003 pelo UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas e parceiros, potencializou o progresso para a erradicação da fístula e o apoio às sobreviventes da fístula com um estratégia tripla de prevenção, tratamento e reinserção social. O UNFPA apoiou mais de 57 mil operações cirúrgicas de reparação da fístula para beneficiar mulheres e meninas que necessitavam, e os parceiros da campanha contribuem para que muitas mais recebem o tratamento.

Mais e mais mulheres também recebem tratamento de reabilitação. Mulheres como Nasima Nizamuddin, do sul de Bangladesh, cujo o cônjuge a rejeitou com Najem, seu filho com nove meses, quando ela foi afetada com uma fístula durante o parto. Depois de uma cirurgia bem sucedida, a Sra Nizamuddin compareceu ao Centro de Capacitação e Reabilitação de Pacientes de Fístula, apoiado pelo UNFPA em Dhaka, para se recuperar emocionalmente e adquirir habilidades para ganhar o sustento, para que ela e seu filho possam viver com dignidade .

No entanto, muito mais precisa ser feito. Estimamos que há pelo menos dois milhões de mulheres afetadas por esta condição, e a cada ano há entre 50.000 e 100.000 novos casos. Felizmente, com a combinação certa de vontade política e liderança, o compromisso financeiro e aumento de intervenções baseadas em evidências, eficiente em termos de custo, o fim dos casamentos forçados e investimento na educação de meninas. Nós também podemos assegurar que outras não tenham o mesmo destino.

Decidamos, como comunidade mundial, que queremos um mundo onde não exista mais fistula. Vamos acabar de uma vez por todas com esta agressão contra a saúde e os direitos humanos de mulheres e meninas, que priva a dignidade e destrói uma das qualidades humanas mais fundamentais: a esperança. Em grande parte do mundo a fítsula já foi praticamente eliminada. É tempo de completar a tarefa. Todos trabalham em conjunto para remover a fístula do mapa.

Dr. Babatunde Osotimehin, Diretor Executivo do UNFPA


Nações Unidas, Nova Iorque, 23 de maio de 2015


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Um comentário:

  1. Obrigada pelas informações. Desconhecia esta luta nesta data. Me irmano através da divulgação desta luta. Sigamos Avante!

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