sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Mulheres Negras do umbigo para o mundo


*Emanuelle Goes



Resolvi escrever sobre algumas jovens negras que estão fazendo a luta do seu jeito, trilhando caminhos e fazendo a sua parte.

Em tempo de preparatórios para a Marcha dasMulheres Negras que logo se aproxima (18 de novembro), a marcha que para mim reorientará caminhos para o Movimento Negro e de Mulheres Negras, a marcha que atinge as mulheres negras de todo o País, que se reconhece nela, por um Brasil sem racismo e sem violência e pelo bem viver, uma marcha que segue na contramão do Estado Brasileiro que sempre nos colocou a margem, as invisíveis.

É importante destacar que as mulheres negras sempre estiveram à frente na luta por oportunidades de direitos para a comunidade negra, nas agendas de políticas publicas, na participação de espaço de controle social, construção e implementação de políticas e por muitas vezes fazendo o papel do Estado.

Mas, vim neste texto falar das mulheres, das jovens negras, que já estão em marcha no cotidiano de suas militâncias, sei que tem varias de nós por ai fazendo o seu pedaço, mas sigo aqui encantada com quatro de nós, que nos representa bem.

Começo com a iniciativa maravilhosa da soteropolitana Monique Evelle, que em 2011 criou o Desabafo Social que nasceu do desejo de transformar a realidade através de ações estruturadas e intencionais, sempre trabalhando na área dos Direitos Humanos da Infância e Juventude, Comunicação e Educação.

Monique ficou entre as 25 negras mais influentes da internet brasileira, pelo site Blogueiras Negras e saiu na lista das 30 mulheres com futuro promissor, pela Revista Cláudia e Portal MdeMulher, da Editora Abril. E, em março de 2014 o Desabafo levou o Prêmio de Protagonismo Juvenil pela Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude. 

O trabalho, o engajamento e a arte da Cordelista e escritora Jarid Arraes que nos presenteia e nos alegra o coração sempre com a sua coluna Questão de Gênero na Revista Fórum e principalmente com os seus cordéis que tem como temáticas centrais as questões de gênero e raciais (Dandara dos Palmares, Luísa Mahin, Carolina Maria de Jesus, Aqualtune, Tereza de Benguela) esses são os títulos de alguns dos seus cordéis.


Cetilá Itas, estudante de Ciências Sociais juntamente com a historiadora Maria da Conceição Freitas criaram o Vidas Negras Importam que é uma iniciativa do Projeto Itinerante Próxima Parada, do qual ela também é a idealizadora, que tem como objetivo promover ações ressignificando o olhar da sociedade sobre a importância da vida, principalmente das vidas negras ceifadas em nome do mito da igualdade racial, que caracteriza pela inexistência de racismo no Brasil, logo mais negros estão em condição desigual, fora dos espaços de poder por que são maioria, refutando a perspectiva de uma política genocida da população negra.
Foto: Ytana Mayanne

Vidas Negras Importam é inspirado no Movimento Americano “Black Lives Matter”, o Projeto Itinerante Próxima Parada decidiu promover intervenções em pontos de paradas de ônibus e nas praças públicas agregando diferentes linguagens concomitantemente, levando os sujeitos a protagonizarem suas histórias e novas histórias na rua, dialogando entre pares sobre a necessidade de nos importarmos com a outra pessoa, mesmo que seja diferente, mas que traz em si as marcas de ser uma vida negra na sociedade.

E para finalizar trago para vocês a iniciativa de Mafá Santos graduanda no curso de Gênero e Diversidade da Universidade Federal da Bahia, o projeto Som da Calçada que surgiu a partir do seu contato com a População em Situação de Rua desde o inicio de 2014 com estagio na Defensoria Pública do Estado da Bahia. E que tem como objetivo promover o empoderamento das mulheres em situação de rua através da arte por meio de aulas de teatro, música, artes plásticas e diálogos sobre saúde da mulher, gênero e empreendedorismo.

Todo engajamento nosso individual é coletivo, porque nós mulheres negras nos construirmos na coletividade. Bem, as iniciativas acima citadas precisa de colaborações das mais diversas formas, então sintam-se a vontade.

Um sobe e puxa a outra!



*Blogueira, Enfermeira, Militante do Movimento de Mulheres Negras, Pesquisadora em Saúde das Mulheres Negras, Doutoranda em Saude Pública ISC/UFBA

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