quarta-feira, 2 de março de 2016

A EPIDEMIA DE ZIKA E AS MULHERES NEGRAS

Pesquisa, redação e edição: Jurema Werneck, CRIOLA


Informações Gerais


Zika é a doença causada por um vírus parecido com outros que já conhecemos. Ela é transmitida entre nós pelo Aedes aegypti infectado, da mesma forma que outras doenças como febre amarela, dengue e chikungunya, tendo vários sintomas semelhantes. Trata-se de um vírus que surgiu em Uganda, na África, na década de 40 do século XX em macacos rhesus e na década de 50 provocou doenças lá e também na Tanzânia. Desde então, apesar de ter se tornado presente em vários continentes (África, Ásia e Pacífico, Américas) pouco foi observado e falado a seu respeito, até que em 2007 houve um surto da doença na Micronésia, no Camboja em 2010 e em 2013 na Polinésia Francesa, país com menos de 300 mil habitantes no Pacífico, onde 11% da população procurou os serviços de saúde devido à infecção.
 Pelo que sabemos até o momento, o vírus da zika chegou ao Brasil em 2014, mesma época que entrou aqui o vírus da chikungunya, provavelmente através da grande presença estrangeira durante a Copa do Mundo. O rápido deslocamento de pessoas pelo mundo, o desconhecimento, a falta de prevenção adequada e a enorme disponibilidade de mosquitos permitiram sua instalação no Brasil.

Zika no Brasil


Pelo que sabemos até o momento, o vírus da zika chegou ao Brasil em 2014, mesma época que entrou aqui o vírus da chikungunya, provavelmente através da grande presença estrangeira durante a Copa do Mundo. Trata-se de um fenômeno próprio da globalização, que permite o rápido deslocamento de sujeitos por todo o mundo e que podem carregar junto diferentes microrganismos

Vulnerabilidade das mulheres negras à zika


As mulheres negras estão muito expostas à zika e às demais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, uma vez que as maiores infestações do mosquito acontecem em regiões onde a falta de saneamento básico e a necessidade de guardar água potável  cria um ambiente propício. O descumprimento do direito à comunidades saudáveis, residir em favelas, bairros pobres e comunidades sem saneamento, fornecimento regular de água e coleta adequada de lixo é o que está por trás das seguidas epidemias de dengue nos últimos 30 anos e do espalhamento da zika e da chikungunya. Junte-se a isto, o descumprimento do direito à saúde, que dificulta as ações do SUS para controle dos vetores (eliminação ou diminuição dos mosquitos), a informação adequada da população em risco, a vigilância, o diagnóstico e tratamento a tempo.

Não sabemos quantas mulheres negras tiveram a doença, nem quantas estão vulneráveis a suas complicações. Informações não oficiais apontam que 70% dos bebês com microcefalia são filhos de mulheres negras. Mas este dado não foi confirmado.


(Clique aqui e acesse o Boletim Completo)



Em defesa do dos direitos humanos e dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres 





2 comentários:

  1. Por que ainda não existe dados que possam informar se as crianças que nascem com microcefalia são filhos(as) de Mulheres Negras se na Ficha que se preenche existe o item onde se informa a etnia?

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  2. acho que a subnotificação nas unidades de saúde aliado à limitação da vigilância epidemiológica que pouco realiza análises de saúde envolvendo de forma nítida e crítica as variantes e especificidades alinhadas com o quesito raça/cor.

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