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Mostrando postagens de Maio, 2016

Comunicação e Mulheres negras: no centro da Epidemia do Zikavirus

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Naiara Leite* Emanuelle Goes**
Historicamente as mulheres negras têm buscado se aproximar dos direitos constituídos para todos no Brasil. Uma busca que tem custado humanidade, existência e continuidade de vida para uma população, que em toda sua história conhece apenas o lado reverso do direito. Se fossemos escrever um roteiro de filme com narrativas de jovens e mulheres negras sobre vivências ainda a partir das histórias que pais e mães contam perceberíamos a interferência do racismo em níveis dinâmicos para nossas construções de humanidade e de existência.
Assim iniciamos as narrativas para histórias compartilhadas nas mazelas, miséria e sobrevivências de milhões de mulheres e jovens negras, ditamos agora atos, cenas e roteiros de vidas: “sou a terceira de cinco filhos; meu pai era pedreiro e minha mãe tinha acabado de chegar do interior pra tentar a vida na capital; minha mãe não tinha plano de saúde; meu nascimento não foi planejado; minha mãe não teve acompanhamento médico durante to…

A arte de partejar: o legado das parteiras tradicionais como herança ancestral e os impactos para a saúde das mulheres

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*Cristiane dos Santos


“No parto abençoou à minha mãe... e me curvo à minha mãe” (Tiganá Santana)

Ao iniciar a escrita desse texto me vêm à memória algumas lembranças da infância no interior de Feira de Santana, onde nasci e me criei. Nas vivências dos dias em que ia para a roça (zona rural) com minha mãe, mais precisamente em Matinha dos Pretos, comunidade quilombola de onde se origina minha família materna, me recordo com carinho de “Mãe Piu”, parteira tradicional da comunidade, chamada de Mãe por todos naquela região em sinal de honra e respeito àquela que amparava as crianças que ali nasciam por suas mãos. Uma mulher negra, de baixa estatura, idosa, de andar ligeiro, fala mansa, riso fácil, e muita sabedoria; “a mãe de umbigo”. Em seguida algumas cenas vêm como flashs. Estrada de chão... Um candeeiro aceso... Uma bacia de alumínio, um pote de água no canto da parede... O fogão de lenha... Muitas mulheres entrando e saindo da casa humilde... Crianças brincando no terreiro... “Mãe Piu” …

Luana Interrompida: no caminho da vida o racismo e a lesbofobia

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*Emanuelle Goes

“Não serei livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas” Audre Lorde
Luana ceifada, Luana exterminada, Luana assassinada, causa básica da morte: racismo e lesbofobia, Luana transgrediu a sociedade brasileira porque queria ser inteira, queria ser só ela, amar outras mulheres iguais a ela, mas ela não estava autorizada a tamanha façanha, o estado brasileiro não autoriza, os lesbofobicos não autorizam, os misóginos não autorizam, os racistas não autorizam, então a policia executa.
Para situar a historia no dia 9 de abril de 2016, Luana Barbosa dos Reis, mulher lésbica-mãe-preta-periférica, do interior de São Paulo, foi abordada por três policiais militares e espancada na frente do próprio filho de 14 anos. Internada na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, faleceu quatro dia depois, não resistindo aos ferimentos, sofreu uma isquemia cerebral aguda causada por politraumatismo crânio-encefálico. Leia mais no Blo…