terça-feira, 17 de abril de 2018

Espalhe amor por onde for, Salve Dona Ivone Lara


Por Emanuelle Goes
Quem vive no coração da loucura alcança a inteirice

Sambista, enfermeira e assistente social, Dona Ivone Lara revolucionou a saúde mental junto com a doutora Nise da Silveira, duas potencias, mulheres à frente do tempo. A terapia ocupacional com a presença de Ivone ganha poesia e música, ritmo que cura as dores da desumanidade em que viviam homens e mulheres no Hospital Psiquiátrico Pedro II (hoje Hospital Nise da Silveira). 


No tempo (1944) em que técnicas desumanas como o eletrochoque, a lobotomia e o coma induzido por insulina tinham se tornado práticas cotidianas no hospital psiquiátrico. A Nise da Silveira passou a ser contraria essas práticas. Propondo e implantando uma nova/outra forma de tratamento, com base no cuidado integral e humanizado, trabalho este considerando menor, o da Terapia Ocupacional.


Em 1946, Nise da Silveira criou a Seção de Terapia Ocupacional que Mavignier, também funcionário do hospital, transformaria em ateliê. Dentre tantas coisas feitas no ateliê de pintura no Engenho de Dentro, Dona Ivone Lara conseguiu patrocínio de uma indústria para comprar instrumentos musicais no Engenho de Dentro. Com isso, criou uma oficina de música, que passou a apoiar festas e eventos de socialização entre “clientes”, familiares e funcionários no hospital.


Ainda sob a inviabilidade do racismo, o filme Nise, o coração da loucura, não revela que a enfermeira chamada que só se chama Ivone, não tem sobrenome (mas isso Lélia Gonzalez já nos ensinou) e muito menos que era Dona Ivone Lara. Uma andorinha não faz verão – Nise e Ivone mulheres brilhantes.

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