Pular para o conteúdo principal

Espalhe amor por onde for, Salve Dona Ivone Lara


Por Emanuelle Goes
Quem vive no coração da loucura alcança a inteirice

Sambista, enfermeira e assistente social, Dona Ivone Lara revolucionou a saúde mental junto com a doutora Nise da Silveira, duas potencias, mulheres à frente do tempo. A terapia ocupacional com a presença de Ivone ganha poesia e música, ritmo que cura as dores da desumanidade em que viviam homens e mulheres no Hospital Psiquiátrico Pedro II (hoje Hospital Nise da Silveira). 


No tempo (1944) em que técnicas desumanas como o eletrochoque, a lobotomia e o coma induzido por insulina tinham se tornado práticas cotidianas no hospital psiquiátrico. A Nise da Silveira passou a ser contraria essas práticas. Propondo e implantando uma nova/outra forma de tratamento, com base no cuidado integral e humanizado, trabalho este considerando menor, o da Terapia Ocupacional.


Em 1946, Nise da Silveira criou a Seção de Terapia Ocupacional que Mavignier, também funcionário do hospital, transformaria em ateliê. Dentre tantas coisas feitas no ateliê de pintura no Engenho de Dentro, Dona Ivone Lara conseguiu patrocínio de uma indústria para comprar instrumentos musicais no Engenho de Dentro. Com isso, criou uma oficina de música, que passou a apoiar festas e eventos de socialização entre “clientes”, familiares e funcionários no hospital.


Ainda sob a inviabilidade do racismo, o filme Nise, o coração da loucura, não revela que a enfermeira chamada que só se chama Ivone, não tem sobrenome (mas isso Lélia Gonzalez já nos ensinou) e muito menos que era Dona Ivone Lara. Uma andorinha não faz verão – Nise e Ivone mulheres brilhantes.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por que mulheres negras são as que mais morrem na gravidez e no parto?

por Isabela Cavalcante no MetropolesA tenista Serena Williams escancarou os dados relacionando racismo e mortalidade materna nos EUA. No Brasil, a realidade não é diferenteSerena Williams emocionou os seguidores de suas redes sociais após falar das dificuldades sofridas no pós-parto. A tenista, de 36 anos, deu a luz ano passado a sua primeira filha e quase morreu devido a uma embolia pulmonar. Ao tentar alertar os médicos, a americana foi tratada com descaso até conseguir o devido tratamento. A situação motivou a atleta a divulgar sua história e falar sobre racismo e as estatísticas de mortalidade no parto. A atleta disse que teve sorte de ter acesso à saúde de qualidade, diferente de outras mulheres negras. “Os médicos não nos escutam, para ser franca. Talvez esteja na hora de ficarmos confortáveis em ter conversas desconfortáveis. Tem muito preconceito na situação, isso precisa ser resolvido”, contou. Nos Estados Unidos, mulheres negras têm três vezes mais chances de morre…

O racismo desequilibra, fere e pode matar

Fernanda Lopes[1]


Nas ultimas décadas foram registrados vários avanços em relação à melhoria das condições de vida e saúde das mulheres no Brasil. No entanto, os avanços não têm sido vivenciados pelas mulheres da mesma forma. Há desigualdades no acesso aos benefícios materiais e simbólicos que estariam potencialmente disponível no território nacional.

Sabemos que as condições de saúde, adoecimento e morte não são obras do destino e sim determinadas por fatores econômicos, sociais, culturais, ambientais,  políticos, além dos biológicos[i]. Olhando por este prisma, é fácil compreender que algumas das desigualdades experimentadas por grupos femininos não se justificam no tempo e no espaço, ou seja, existem e persistem em decorrência de injustiças e de violação de direitos.

No Brasil as condições de vida e saúde de mulheres negras em diferentes momentos do curso de suas vidas são evidências expressivas das iniquidades em saúde (desigualdades que, além de sistemáticas e relevantes, são tamb…

O Trabalho (de Parto) do Racismo