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A EPIDEMIA DE ZIKA E AS MULHERES NEGRAS

Pesquisa, redação e edição: Jurema Werneck, CRIOLA


Informações Gerais


Zika é a doença causada por um vírus parecido com outros que já conhecemos. Ela é transmitida entre nós pelo Aedes aegypti infectado, da mesma forma que outras doenças como febre amarela, dengue e chikungunya, tendo vários sintomas semelhantes. Trata-se de um vírus que surgiu em Uganda, na África, na década de 40 do século XX em macacos rhesus e na década de 50 provocou doenças lá e também na Tanzânia. Desde então, apesar de ter se tornado presente em vários continentes (África, Ásia e Pacífico, Américas) pouco foi observado e falado a seu respeito, até que em 2007 houve um surto da doença na Micronésia, no Camboja em 2010 e em 2013 na Polinésia Francesa, país com menos de 300 mil habitantes no Pacífico, onde 11% da população procurou os serviços de saúde devido à infecção.
 Pelo que sabemos até o momento, o vírus da zika chegou ao Brasil em 2014, mesma época que entrou aqui o vírus da chikungunya, provavelmente através da grande presença estrangeira durante a Copa do Mundo. O rápido deslocamento de pessoas pelo mundo, o desconhecimento, a falta de prevenção adequada e a enorme disponibilidade de mosquitos permitiram sua instalação no Brasil.

Zika no Brasil


Pelo que sabemos até o momento, o vírus da zika chegou ao Brasil em 2014, mesma época que entrou aqui o vírus da chikungunya, provavelmente através da grande presença estrangeira durante a Copa do Mundo. Trata-se de um fenômeno próprio da globalização, que permite o rápido deslocamento de sujeitos por todo o mundo e que podem carregar junto diferentes microrganismos

Vulnerabilidade das mulheres negras à zika


As mulheres negras estão muito expostas à zika e às demais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, uma vez que as maiores infestações do mosquito acontecem em regiões onde a falta de saneamento básico e a necessidade de guardar água potável  cria um ambiente propício. O descumprimento do direito à comunidades saudáveis, residir em favelas, bairros pobres e comunidades sem saneamento, fornecimento regular de água e coleta adequada de lixo é o que está por trás das seguidas epidemias de dengue nos últimos 30 anos e do espalhamento da zika e da chikungunya. Junte-se a isto, o descumprimento do direito à saúde, que dificulta as ações do SUS para controle dos vetores (eliminação ou diminuição dos mosquitos), a informação adequada da população em risco, a vigilância, o diagnóstico e tratamento a tempo.

Não sabemos quantas mulheres negras tiveram a doença, nem quantas estão vulneráveis a suas complicações. Informações não oficiais apontam que 70% dos bebês com microcefalia são filhos de mulheres negras. Mas este dado não foi confirmado.


(Clique aqui e acesse o Boletim Completo)



Em defesa do dos direitos humanos e dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres 





Comentários

Por que ainda não existe dados que possam informar se as crianças que nascem com microcefalia são filhos(as) de Mulheres Negras se na Ficha que se preenche existe o item onde se informa a etnia?
Unknown disse…
acho que a subnotificação nas unidades de saúde aliado à limitação da vigilância epidemiológica que pouco realiza análises de saúde envolvendo de forma nítida e crítica as variantes e especificidades alinhadas com o quesito raça/cor.